#21 O que herdei de meu pai
Cássia Guerra

Herdei do meu pai um coração grande, que sempre cabe mais um – não é só coração de mãe que cabe até penteadeiras, não. Meu pai recebeu uma (a pequena da foto), dois (o irmão do meio), três (eu). Meu pai recebeu um, dois, três, quatro gatunos – que eu que busquei na casa ao lado, filhotes, e ele nunca reclamou. O primeiro bichano já se foi, mas continua lá dentro – dentro do coração cheio de nostalgia dele. Sentimento esse que também herdei (ah, esse casaco xadrez me lembra um cheirinho e conforto lá, bem de lááá da infância, quando eu fui a terceira a ser recebida e o cheirinho da lã já impregnava o viver de dois outros, anteriores a mim).
Confuso? Misturar presente, passado & futuro em desalinho também é coisa hereditária. Ou não.
#21 O que herdei do meu pai
Raquel Stüpp
Eu vi o laços “o que herdei do meu pai” já faz um tempo. E só escrevo agora não por falta de tempo ou nada disso. Foi falta de saber mesmo. Fiquei esse tempo todo procurando.
É verdade que eu queria ter herdado os olhos verdes. A inteligência e simpatia pelos números. A coragem de não desenvolver uma conversa com uma pessoa que eu não simpatize. Mas isso não veio.
Herdei do meu pai um pavor de festa de família. Família reunida em casa. Tia, vó, primos, tudo junto na mesma casa = PÂNICO. Só de pensar na cena, meu coração dispara, e não é de alegria.
Herdei, e estou tentando me livrar, uma coisa meio alemã de ter que “tirar sempre 10″. E isso eu tenho quase certeza que ele herdou do pai dele.
Mas acho que o que mais tem dele em mim é a valorização. Não a auto (o que não sei se é bom ou ruim). Mas sim a de tudo que tenho ou conquisto. Pequenas ou grandes, não importa. Se bem que agora que eu terminei de escrever isso, cheguei a conclusão de que estou perdendo essa última parte da herança. Logo a mais interessante.
Lá vou eu pensar mais uma semana sobre tudo isso.
#21 O que herdei do meu pai
Débora Rossetto

Eu herdei de meu pai o silêncio, o ser pra dentro, a dificuldade em me expressar diretamente e em demonstrar afeto.
Herdei (roubei) um exemplar do Mein Kampf que me despertava a maior curiosidade do mundo estando lá, na biblioteca dele. E, junto, a incapacidade de perguntar sobre eles – livro e dono.
Herdei a solidão de desconhecer alguém. Herdei insatisfação e infelicidade. Uma mente que não é capaz de parar de pensar.
É, herdei uma certa dificuldade em ver o lado positivo das coisas.
Mas, sobretudo, herdei de meu pai a casa onde sou mais feliz com o pai dos meus filhos, que é o oposto do meu pai.
E essa é a minha luta.
#21 O que herdei do meu pai
Claudia Pinz

A mania irritante de chamar todos os gatos de “mimi”.
(se for a primeira vez que você vê o gato ou se é um gato que você não vê faz um tempo, a entonação é especialmente ridícula de tão transbordante de amor)
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essa pinta no braço, esse mau humor. um relógio de bolso.
seu pai em você.
vale texto, foto, áudio, vídeo, desenho.
[ pra cá: margotartecoletiva@gmail.com ]
#20 Tire uma foto na madrugada
Bianca Brigido
Virei uma mutante com nariz de porquinho, mas o coração tá sempre ali, sobressaindo, ainda que na escuridão. Mesmo quando ele é de pelúcia e dorme comigo.
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#20 Tire uma foto na madrugada
Branca Bastos

Sono leve.
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#20 Tire uma foto na madrugada
Bruna Granucci

#20 Tire uma foto na madrugada
Nataly Callai

foi o melhor que a madrugada tirou de mim.
#20 Tire uma foto na madrugada

O nosso laços surrealista/inconsciente/sonolento.
Assim: você coloca o despertador pra despertar na madrugada e vai dormir com sua câmera do lado. Quando você acordar, você tira uma foto.
Mande a primeira que você tirar. De qualquer coisa. Escura demais. Fora de foco.
Se inspirado, escreva alguma coisa pra mandar junto.
(pra cá, pra cá: margotartecoletiva@gmail.com)