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21set

Débora

difícil mesmo é lidar com o fato de que qualquer foto poderá vir com “eu mal sabia que morreria 15 minutos depois”. “um dia depois”. “um ano”. “quinze.”.
essa foto não existirá. não, ela não existe ainda (não posso enviá-la, me desculpem por estragar a brincadeira), apesar de já existir. então existirá, sim. quem deixará de existir serei eu.
o momento para o qual todos vivem, a morte, cúmulo (cume?) da vida. o momento em que a vida fará sentido, o filme da minha vida, eu não vou assistir.

eu poderia mandar qualquer foto. eu mal sabia que iria morrer. eu só sei que vou morrer.
sorria.

21ago

#26 Responda a última mensagem do seu celular

Débora Rossetto

“Eu que agradeço, mãe.”

17jul

#29 Se despeça de alguma coisa

Débora Rossetto

minha filha, nem dois anos, segura firmemente aquele pacotinho que eu faço, com a fralda já usada, levanta a tampa da lixeira, arremessa o volume e diz: “tchau, cocô”.
trivial. banal. cotidiano.
ela se despede de algo e nem chora.
e eu não consigo decidir se esse era ou não era um pedaço dela.
de quantos pedaços nossos nos despedimos todos os dias? as unhas que cortamos, os cabelos que caem, a pele que se degruda e nem notamos. os respiros, os suspiros, aquilo que eu pensei e não fiz. tudo o que eu já quis, tudo o que eu já (não) fui.

é o ritual do que é vivo – ou fomos nós que inventamos tudo isso?
todo ritual tem a ver com passagem; as coisas vão passando. o que fica?

eu já aprendi a me despedir de muitas coisas.
ainda que não quisesse me despedir de nada.
é o que a vida faz com a gente.

e me assusta a naturalidade com que minha filha, nem dois anos, se despede do cocô.

(talvez eu não saiba mesmo me despedir, e tudo aquilo que já foi esteja guardado bem aqui. despedir-se é desprender-se e, pensando bem, minha filha chora pra tirar a fralda. ou seja, enquanto está “preso” nela, ela não quer dar tchau. depois que já está fora, não importa, não é mais dela. pena que eu não tenha alguém pra diariamente “limpar minha fralda”, e me tirar todo esse peso.)

tchau.

12jul

#30 Come as you are

Débora

enquanto amamento meu filho escuto, no andar de cima, minha mãe que brinca com minha filha.
as coisas são assim, tudo vai passando de um pro outro.
e eu tiro amor não sei de onde pra (me) dar cada vez mais.
eu alimento e sinto fome.
eu, alimentode você, fome.

21mar

#28 Fotografe o Céu

Débora

Eu sempre quis um céu de brigadeiro.

01fev

“O ovo não existe mais. Como a luz de uma estrela já morta, o ovo propriamente dito não existe mais. – Você é perfeito, ovo. Você é branco. – A você dedico o começo. A você dedico a primeira vez.

Ao ovo dedico a nação chinesa”

Clarice Lispector

(O Ovo e a Galinha)

Quando a gente se apaixonou pelo ovo.

Trabalho de direção de arte no VOO (a vida)aqui no portfólio.

25jan

#25 Quem é você na sua geladeira

Débora Rossetto

o ovo é a vida, o cíclico, a força do frágil, o que é preciso proteger
o suco é do bem, a vontade, a sede – a gente sempre quer algo além
o neston é a porção ração, aquilo que se repete todo dia, ritual da manhã, a segurança de acordar e saber o que fazer
o doce de nata é o cuidado de mãe – que louca, ele tem touca!
a azeitona é a presença masculina; ao mesmo tempo base e tempero
o espumante sem álcool é a impossibilidade, o controle e principalmente a serenidade do deixar pra depois
a água de côco é a promessa do mundo lá de fora – o vento
e os restos de comida são aquilo que alimentava e de repente estraga, o que é preciso controlar e jogar fora
e eu sou tudo isso agora.

09jan

#24 Retrospectiva

Ana Laura Fernandes

Laços #16 | Ambientes | Débora, 29/05/11

Porque “sentir tudo ao mesmo tempo debilita a gente”. Acho que a minha sensibilidade já não tem mais cura.

 

07dez

 

Vamos?

06dez

#22 Dias Incríveis

Débora Rossetto


às vezes o mais incrível é a gente conseguir chegar ao fim de mais um dia.

não importando se fez tudo o que tinha que fazer (nunca fez), se o dia foi bom ou ruim, se demorou ou não pra passar (há dias e diiiias).
preparar-se para dormir e isso significar que deu tudo certo. que está tudo bem. mais um dia.
e amanhã vai chegar.
incrível.