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13fev

A MARGOT resolveu abrir os caderninhos.

Começa hoje com a Nataly. E as coisas que ela lê nos livros.

22jan

Para ser de mármore
(quando ser de carne e osso cansar. e doer)

Algo escuro

Algo distante

Algo que dorme

Fantasmas

(Nataly)

23jul


Havia parado de chover há cerca de duas horas. A calçada desgastada e irregular formava poças que apareciam a cada três ou quatro passos. Por todos os lados pessoas dançavam se equilibrando com sacolas e guarda-chuvas desviando dos buracos como se reconhecessem a dignidade da água suja que não quer morrer. Eles entendem? Seria muito mais fácil evaporar ou escorrer e dar um fim a tudo isso.

Do ponto de ônibus escoam meninas e meninos entediados metidos em pulôvers segurando cadernos com letras de música. Antes esticar os braços porta a fora porque me distraí contando postes e não sei mais se chove ou se parou de chover. Você ri alto demais pra quem não vê graça em coisa nenhuma. Você passa perfume demais. A mistura do perfume com a poeira me dá vontade de deitar. Esse cheiro é meu ou é seu? Amarre os cadarços e continue caminhando. Sonhei dia desses que as pessoas se ajoelhavam pra amarrar seus cadarços e não paravam nunca mais amarrando suas pernas e seus braços e troncos até na Terra só existirem múmias. Você tropeçou ao se abaixar pra amarrar os cadarços e levantou tonto não lembrando se ia ou voltava. E assim te perdi pelo caminho.

Saímos do ônibus com dezenove anos e chegamos na porta de casa com vinte e quatro. Acho que dormi.

A cidade está sob séria ameaça de outra tempestade. Depois de limparmos nossos sapatos e tirarmos nossas roupas molhadas e abrirmos nossos guarda-chuvas na varanda poderíamos muito bem fingir que a outra chuva nunca existiu. Não fossem as poças. Você acha mais bonito quem fica ou quem vai?

Me olham como se eu não devesse estar aqui.  Me olham como se eu devesse tremer e tombar. Me olham como se  a minha única saída agora fosse cair de boca no chão.

Vou amarrá-los todos em si próprios. Mumiazinhas com medo de viver e de morrer.

Nataly.

(a imagem eu encontrei aqui)

12jun

#29 Se despeça de alguma coisa

Aline, Branca, Nataly

A nossa despedida é a mais e a menos óbvia.
Nos despedimos do Laços.

o primeiro foi da Lígia
(#1 Fotografe a sua peça de roupa mais antiga

e é um tchau, mas não pode sê-lo.
como se a gente pudesse dar tchau, pro próprio DNA.

26mar

26/03/1988

Organizamos uma festa surpresa.
Shhh!
Ela já deve estar chegando.

08mar

#27 Desenhe alguém que você nunca viu

Nataly

Segundo a Bline, esse cara se chama “Poza” – acho que sobrenome ou apelido.

Ele é um dos amigos perdidos do meu pai.

Lembro do dia em que eu percebi, no comecinho da minha adolescência, que todos os amigos dos meus pais eram do passado. Eu tinha visto um ou outro em algum casamento, talvez, quando eu era muito pequena. Mas eles não estavam mais ali – nem em cartas, nem no telefone. Eu achei que adultos não tinham amigos.

De todas as pessoas nas histórias do meu pai e da minha mãe, esse sempre foi meu preferido: o tal Poza, magrelo e louco pelo Bob Dylan.

Poza ficou em algum lugar no começo dos anos 80. Quando não se tinha tanto o que fazer. Sem filhos, mulher, ou emprego definitivo.

Como uma pedra rolando na rua; prestes a ser esquecido.

22fev

#25 Quem é você na sua geladeira

Nataly

Três coisas que aprendi contigo:

1. Se eu não puder ser o coração, ou o pulmão, que eu seja a veia.
(tudo que passa por mim)
2. Vi escrito no verso “Aveia Yoki vai bem com tudo” (bem – apesar de tudo)
3. Uma pausa para a tempestade é: hoje cair em flocos finos.

20fev

Em 2009, a Nali dirigiu seu primeiro filme: Tanto.
Agora, o programa Narrativas da TVAL (Santa Catarina) está exibindo o curta-metragem na TV. Quem for do estado, pode checar a grade de programação da emissora. Se não, também dá pra assistir pela internet, aqui. : )

Naquele tempo, a  Margot já existia – mesmo sem a gente se dar conta.

07fev

#26 Responda a última mensagem do seu celular 

Nataly Callai

eu tô livre agora. e cadê você?
te quero sempre muito bem (até com mais exclamação)
me liga um dia desses. só pra eu te ouvir.
amo você daqui ocupada e perdendo o celular de mês em mês.
que são paulo seja boa contigo (caso contrário mantenho a oferta de babysitter sem experiência no exterior)

ainda te amo uma linha e uma quebra de linha depois.
não me esqueça.

01fev

“O ovo não existe mais. Como a luz de uma estrela já morta, o ovo propriamente dito não existe mais. – Você é perfeito, ovo. Você é branco. – A você dedico o começo. A você dedico a primeira vez.

Ao ovo dedico a nação chinesa”

Clarice Lispector

(O Ovo e a Galinha)

Quando a gente se apaixonou pelo ovo.

Trabalho de direção de arte no VOO (a vida)aqui no portfólio.